Apreciando a vida
De pé, em frente ao mar, ela olhava o horizonte; os primeiros raios de sol começavam a surgir. O risco laranja contrastava com o azul escuro do oceano, e, um pouco mais acima, o céu começava a ficar roxo.
Fechou os olhos; a leve brisa matinal acariciou seu rosto, balançou seus cabelos e brincou com sua franja. Sobressaltou-se ao sentir, de repente, uma onda gelada cobrindo seus pés. Os pelos da sua nuca se arrepiaram e ela abriu os olhos, a tempo de ver a onda arrastando-se para o mar.
O céu clareava rapidamente e Anita observava, emocionada, as múltiplas cores que se formavam antes que o azul tomasse conta de tudo; anil, roxo, rosa, vermelho, laranja, amarelo. Como se alguém desse pequenas pinceladas no céu. Estreitou os olhos para conseguir enxergar a bola de fogo que se erguia lá longe, e olhou o mar novamente. Estava calmo, maré baixa, mas mesmo assim repleto de pequenas ondas que se quebravam lá longe, nas rochas. Poucas chegavam à areia. Esperou por mais uma que viesse refrescar seus pés. Elas, no entanto, tímidas e sapecas, espreitavam e esticavam-se até bem próximo aos seus pés sem tocá-los, e voltavam para seu lugar rapidamente. A menina então, como que para não assustá-las, cautelosamente deu um pequeno passo à frente com o pé esquerdo e esperou. Um pequeno pedaço de mar chegou vagarosamente e tocou seu pé de leve, fugaz, e logo voltou. Decidida, Anita deu dois passos grandes, agora ela mesma tocando a água. Satisfeita, fechou os olhos novamente, sentindo o suave calor do sol em seu rosto. A areia abaixo de seus pés, macia, começava a aquecer. Inspirou o ar puro da praia, sentindo o cheiro do sal, da areia; cheiro de praia; segurou por três segundos em seus pulmões, sentindo-se viva, e soltou devagarinho, saboreando cada pedacinho de ar que saía.
Ela sentia os quatro elementos juntos: o mar, a areia, o sol e o ar. E nada mais importava. Como se todos os seus problemas tivessem ido embora com as ondas. Que importavam as brigas dos pais, o aluguel atrasado e as dificuldades no colégio? Ela estava na praia e estava vivendo. Em contato com a natureza e sentindo a presença divina, que importava o resto? O sol que aquecia sua pele, o mar que a refrescava, a areia que acomodava e o vento que brincava. Abrindo os braços, ergueu a cabeça e abriu novamente os olhos, olhando o límpido céu que agora estava totalmente azul, com poucas nuvens brancas que pareciam pequenas ovelhas brincando. Ela podia sentir a natureza e podia ver. O oceano agora verde-esmeralda, o céu azul, o sol amarelo, as nuvens brancas, a brisa, a água, a areia... E então sorriu. Estava viva.
O nascer do sol mais lindo que eu já li!
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