![]() |
| Getty Images |
Na sexta-feira (20 de janeiro), presenciei uma Colação de Grau do curso de medicina. Vi minha prima e seus colegas receberem o diploma; vi a emoção estampada em seus rostos e não há palavras para descrever a alegria presente em seus olhares; assisti ao que sonho vivenciar num futuro, espero, próximo.
A batalha para este grande sonho se inicia já no ano de vestibular, quando você descobre o que é estudar de verdade, quando você percebe que estudou pouco durante o ensino fundamental e o ensino médio, quando você estuda como nunca havia estudado em toda a sua vida. Seus amigos acabam ficando de lado, pois muitas vezes você deixa de sair com eles para estudar. Noites mal dormidas, vestibular aqui, vestibular ali, momentos de confiança, momentos de insegurança, vontade de desistir de tudo e tentar um outro curso que seja mais fácil, medo, lágrimas, estresse, sono, cansaço, dor de cabeça, sensação de que não sabe nada ou de que não aprendeu nada, sensação de que esqueceu tudo o que aprendeu, vontade de gritar, vontade de chorar, enfim... só quem vive tudo isso sabe como é difícil. E quando um vestibular não dá certo? É aquela sensação de derrota que te desanima para a próxima prova. Às vezes é preciso viver dois, três ou até mais anos como esse para, finalmente, ingressar no curso tão desejado. Não tem como expressar em palavras a sensação maravilhosa de quem passa no vestibular. Satisfação, todo o esforço não foi em vão. Um sonho já foi conquistado. Agora esse sonho torna-se o primeiro degrau de uma longa escadaria rumo a um outro sonho, ainda mais alto: o de se formar e poder, finalmente, ser chamado de Doutor ou Doutora. E se você acha que estudou o máximo que podia durante o vestibular, é aí que você se engana. Provas e mais provas, muitas matérias, mais conteúdo do que seu cérebro é capaz de aprender, quatrocentas páginas para estudar em uma semana, notas baixas, inúmeros nomes para decorar, trabalhos, seminários, noites em claro... quando se está na faculdade, você percebe que, na época de cursinho, até que dormiu bastante e estudou pouco. Segundo me disseram, quando se está cursando medicina, dormir cinco horas por noite é uma conquista. Seis anos se passam com muita luta, e, finalmente, vem a formatura. Pais orgulhosos, filhos Doutores, a batalha está ganha . Mais alguns anos de residência, muito estudo... enfim, é uma luta difícil. Mas o resultado é gratificante. E a profissão é linda!
O que estraga são alguns médicos incompetentes, que escolheram a profissão apenas por dinheiro. Para mim, isso não é médico de verdade. Médico não é aquele que se recusa a atender um paciente de graça, deixando-o morrer sem um pingo de sensibilidade e decência na cara. Em 2010 houve um caso em Campo Grande (MS) de dois médicos que brigaram enquanto uma mulher estava prestes a ganhar um bebê. Os dois queriam trabalhar no parto dela, e, durante a disputa, que durou cerca de uma hora, um terceirou médico precisou socorrê-la. O bebê nasceu morto. Não é certo dizer que a culpa foi dos dois obstetras, mas é uma possibilidade. Mas o fato em si já nos traz um questionamento sobre como, muitas vezes, uma profissão tão linda como a medicina pode cair em mãos erradas.
Médico de verdade é aquele que trabalha não só com o cérebro, mas com o coração. A medicina surgiu com a finalidade de aliviar e tirar a dor, de curar as doenças, e não com fins lucrativos. Claro que os médicos merecem um bom salário como retribuição ao trabalho, para seu sustento e de sua família. Mas é preciso entender que nem todas as pessoas têm um trabalho bom, e por isso muitas vezes não têm condições de pagar um profissional para o bem de sua saúde. Médico de verdade é aquele que realmente se preocupa com o paciente e que faz de tudo para ajudá-lo, independentemente do que receberá em troca. É aquele que olha o paciente nos olhos enquanto fala, que transforma uma simples consulta rotineira em um encontro entre duas pessoas, onde irão discutir um assunto importantíssimo, que é a saúde e seus cuidados; médico é aquele que alivia a dor não só com remédios, mas também com palavras, e não apenas a dor física, mas também a dor da alma; é aquele que tem paciência e dedicação infinitas; é aquela pessoa forte e corajosa que precisa, frequentemente, avisar àquela jovem sobre sua grave doença, avisar aos pais sobre a morte do filho, avisar ao filho sobre a morte da mãe. Para ser médico é preciso ter vocação, amor e compaixão. Medicina é a arte de amenizar o sofrimento; de tirar a dor; a arte de curar; mas curar por amor.

Ótimo, Marina! Se depender da redação no vestibular, o número de pediatras daqui a 6 anos no brasil já será uma unidade maior!
ResponderExcluirContinue assim.
Assinado: uma pediatra que espera te reconhecer brevemente nos corredores dos hospitais.
Isso sim é um blog!
ResponderExcluirQueria o 1º comentário mas vejo que alguém já o roubou de mim haha
Enfim, desejo a você tudo de bom, marina, esse ano promete para nós dois hein!? Não vá se esquecer dos itens essenciais para sobreviver no cursinho! haha, abraços apertados,
Hugo
uma lindeza de texto bem-escrito, sobre uma coisa que é tão bonita, embora muitas vezes nos esqueçamos disso.
ResponderExcluir