Mesmo caindo de sono, Anita não conseguia dormir. O calor infernal a impedia de fazê-lo. Sua pele suava e coçava. Irritada, tentou desgrudar os cabelos do pescoço, ambos suados, mas foi em vão. Já havia chutado o lençol para o chão e se revirava na cama, tentando achar uma posição confortável. A boca e a garganta estavam muito secas, mas ela relutava em ir à cozinha pegar um copo d'água. Além disso, o tic-tac do relógio a atormentava profundamente. Agora os ponteiros marcavam quatro horas da manhã. Quanto mais olhava o relógio, mais nervosa ficava. Isso era comum de acontecer, e em dias de aula era pior ainda, pois sabendo que tinha um horário para acordar, de manhã mesmo, a ansiosidade aumentava e aí sim que ela não dormia. Ainda bem que era sábado e não teria aula. Mas os acontecimentos do dia repassavam em sua cabeça contra a sua vontade e também contribuíam para que não dormisse; A conversa séria que o pai tivera com ela sobre uma possível mudança para uma casa menor, pois não estava dando conta de pagar o aluguel; o boletim, que antes vinha com notas tão boas, agora ameaçava reprová-la de ano; e ainda tinha a mudança de colégio. Ela realmente não se importava muito em sair de lá, pois não gostava e nem detestava o colégio, do mesmo modo que era indiferente à maioria dos colegas. Apenas ia para as aulas e estudava, nada de mais. O problema mesmo seria enfrentar um colégio novo, com pessoas e professores novos. Onde ela estudava agora conhecia todos da sala desde pequenos e eles haviam aprendido a respeitá-la, a respeitar seu silêncio e seu mundo fechado, sem querer invadir sua privacidade e aceitando o fato de ela não interagir com eles. Anita não conseguia nem se imaginar estudando com pessoas estranhas que viessem com perguntas, querendo saber de sua vida.
por Marina Aemi Sesarino
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Insônia
Mesmo caindo de sono, Anita não conseguia dormir. O calor infernal a impedia de fazê-lo. Sua pele suava e coçava. Irritada, tentou desgrudar os cabelos do pescoço, ambos suados, mas foi em vão. Já havia chutado o lençol para o chão e se revirava na cama, tentando achar uma posição confortável. A boca e a garganta estavam muito secas, mas ela relutava em ir à cozinha pegar um copo d'água. Além disso, o tic-tac do relógio a atormentava profundamente. Agora os ponteiros marcavam quatro horas da manhã. Quanto mais olhava o relógio, mais nervosa ficava. Isso era comum de acontecer, e em dias de aula era pior ainda, pois sabendo que tinha um horário para acordar, de manhã mesmo, a ansiosidade aumentava e aí sim que ela não dormia. Ainda bem que era sábado e não teria aula. Mas os acontecimentos do dia repassavam em sua cabeça contra a sua vontade e também contribuíam para que não dormisse; A conversa séria que o pai tivera com ela sobre uma possível mudança para uma casa menor, pois não estava dando conta de pagar o aluguel; o boletim, que antes vinha com notas tão boas, agora ameaçava reprová-la de ano; e ainda tinha a mudança de colégio. Ela realmente não se importava muito em sair de lá, pois não gostava e nem detestava o colégio, do mesmo modo que era indiferente à maioria dos colegas. Apenas ia para as aulas e estudava, nada de mais. O problema mesmo seria enfrentar um colégio novo, com pessoas e professores novos. Onde ela estudava agora conhecia todos da sala desde pequenos e eles haviam aprendido a respeitá-la, a respeitar seu silêncio e seu mundo fechado, sem querer invadir sua privacidade e aceitando o fato de ela não interagir com eles. Anita não conseguia nem se imaginar estudando com pessoas estranhas que viessem com perguntas, querendo saber de sua vida.
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menina, como vc escreve lindo.
ResponderExcluirquero mais de anita!